Entenda as diferenças entre cobra coral verdadeira e falsa

A cobra coral é uma serpente pequena, extremamente venenosa e está entre as espécies mais venenosas do Brasil. Com cores vibrantes, a cobra coral falsa e verdadeira pode ser difícil de diferenciar. Atualmente, existem mais de 37 tipos de corais verdadeiras e 60 espécies de corais falsas no país.

Por isso, todo cuidado é pouco. A seguir, você vai entender as diferenças entre a cobra coral falsa e verdadeira, e conhecer alguns cuidados que devem ser tomados ao ser picado por uma cobra.

Diferença entre cobra coral falsa e verdadeira

É preciso ter muito cuidado e atenção para diferenciar a cobra coral falsa e verdadeira. Existem algumas regras que podem ser úteis nesse momento, como observar a coloração das espécies.

Alguma teorias indicam que a coral verdadeira costuma ter colorações vermelha e amarela, enquanto a falsa tem as cores vermelho e preto. Contudo, é importante lembrar que essa informação não é 100% confiável.

Isso porque, na América Latina, existem corais falsas que se parecem muito com as verdadeiras, apresentando até mesmo as listras vermelhas e amarelas. Já as corais verdadeiras têm algumas exceções importantes, visto que as cores e padrões nem sempre são típicos.

Algumas condições, como o melanismo e o albinismo, podem alterar a coloração do animal, deixando a cobra totalmente negra ou com falta do pigmento preto. Além disso, existem variações entre regiões com diferentes combinações de cores. 

Coral-verdadeira (Micrurus lemniscatus)

Para entender a diferença entre coral falsa e verdadeira, precisamos conhecer melhor cada uma delas. A coral verdadeira apresentam em geral as colorações em tons vermelhos, amarelo, laranja e branco, em anéis ou manchas que podem variar entre castanho-escuro e negro.

Essa espécie possui cabeça oval, coberta por grandes escamas, olhos pequenos e pretos, corpo cilíndrico com escamas lisas, além da cauda curta e roliça. Geralmente são encontradas em locais como Estados Unidos e Argentina, e podem sobreviver em diferentes ambientes, desde desertos, como no Peru, a savanas nas Guianas, e florestas tropicais, como na Bacia Amazônica.

No Brasil, existem 32 espécies de cobra coral verdadeira. Entre elas, está a Micrurus lemniscatus, encontrada em todo o território brasileiro e mais frequente nos estados do Maranhão, Amapá e Pará.

Diferente dos outros tipos de corais, essa espécie apresenta hábitos aquáticos e se alimenta de peixes serpentes menores e lagartos. A cobra coral verdadeira provoca sérios riscos para quem é picado. Seu veneno possui atividade neurotóxica.

Ou seja, o efeito bloqueia o sistema neuromuscular e causa insuficiência respiratória, visão turva, dificuldades para deglutição e vômito. O tratamento para este tipo de ataque deve ser realizado em hospitais e postos de atendimento, considerando a situação grave.

Falsa-coral (Erythrolamprus aesculapii)

A falsa coral é encontrada amplamente no Brasil, sendo a Erythrolamprus aesculapii uma das 52 espécies não peçonhentas com padrões da serpente coral, ou então de coloração vermelha, por isso são denominadas falsas.

Comum em diferentes regiões do país, a falsa coral apresenta hábitos noturnos e terrícolas. Quando jovem, essa espécie se alimenta de pequenos lagartos e, quando adulta, de outras cobras.

Uma das formas de defesa da falsa coral é a capacidade de achatar seu corpo e enrolar a cauda, comportamento realizado pela espécie verdadeira. Por não se tratar de uma cobra peçonhenta, esse tipo não está envolvido em acidentes graves. 

No entanto, ainda oferece certos riscos ao ser humano. Por esse motivo, em casos de ataque pela falsa coral, é importante recorrer ao atendimento médico para receber soro específico e outras medicações, assim como no caso de ataques pela cobra coral verdadeira.

O que fazer ao ser picado por uma cobra

Em acidentes com cobras, é muito importante que a pessoa mantenha a calma. Ao ser picado, o indivíduo deve lavar bem o local da ferida com água e sabão, deixar o ferimento elevado, manter repouso e ingerir bastante líquido para se manter hidratado.

Além disso, é preciso buscar rapidamente o atendimento médico em um hospital de referência para atendimento por acidentes ofídicos. Devemos sempre lembrar que, o tempo é crucial para garantir o êxito do tratamento, principalmente no caso das cobras peçonhentas.

Não é preciso se arriscar tentando capturar o animal que causou a ferida, afinal, o médico treinado poderá prescrever o soro antiofídico (responsável por anular os efeitos do veneno) pelos sintomas apresentados.

Não corte nem perfure o local da picada da cobra. Além disso, não amarre o local nem realize garrotes ou torniquetes. Muitas vezes estas medidas podem agravar a situação.

Ainda que seja muito importante diferenciar a coral verdadeira da falsa coral para evitar acidentes com estes animais, é preciso adotar também certos cuidados básicos no dia a dia. Entre eles, os principais são:

  • Usar sapatos ou botas de cano alto, assim como perneiras, quando estiver realizando trilhas ou caminhando em campos;
  • Evitar o uso de chinelos ou caminhar descalço em áreas de mato ou grama;
  • Observar o terreno ao seu redor antes de se abaixar ou sentar;
  • Nunca colocar a mão em buracos, embaixo de pedras ou dentro de troncos;
  • Não se agachar ou sentar em troncos caídos, arbustos, pilhas de madeiras, materiais de construção, ou outros sem antes conferir o local;
  • Observe o local antes de entrar em rios, lagos ou cachoeiras;
  • Verifique sapatos, botas, camas ou outros utensílios que possam ser possíveis esconderijos para as cobras venenosas;
  • Mantenha limpas as áreas próximas de sua casa, retirando troncos, entulhos e outros materiais que possam atrair cobras e ratos, seu principal alimentos;
  • Nunca pegue uma cobra nas mãos, mesmo que ela esteja morta. Afinal, as glândulas responsáveis por expelir o veneno permanecem ativas por algum tempo.

Agora que você conheceu melhor as diferenças entre a coral falsa e verdadeira, lembre-se que ambas espécies podem apresentar risco. Portanto, ao se deparar com uma delas, não tente identificar quais são, apenas mantenha o máximo de distância possível. Em caso de ataques, siga os cuidados acima e evite acidentes que possam resultar em graves problemas para sua saúde.

Fonte: Hora Santa Catarina/NSC

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