"Não vai ter lockdown nacional", diz Bolsonaro em visita a Chapecó

Em visita a Chapecó, Jair Bolsonaro voltou a rechaçar medidas restritivas adotadas por prefeitos e governadores para frear a Covid-19. Em evento para cerca de 200 pessoas, o presidente chegou a levantar o tom para dizer que "não vai ter lockdown nacional". A afirmação vem em um momento de recorde de mortes no país. Na terça-feira (6), o Brasil registrou 4.195 óbitos em 24 horas, o maior número em mais de um ano de pandemia.

Durante a fala, mais uma vez, Bolsonaro colocou em pauta a dualidade entre saúde e economia, defendeu a liberdade dos médicos para receitar qualquer tratamento e disse que não vai incentivar ninguém a ficar em casa.

— Seria muito mais fácil a gente ficar quieto, se acomodar, não tocar nesse assunto. Ou atender, como alguns querem, o lockdown nacional. Não vai ter lockdown nacional! Alguns ousam dizer por aí que as Forças Armadas deveriam ajudar alguns governadores nas suas medidas restritivas. O nosso Exército Brasileiro não vai à rua para manter o povo dentro de casa.

A justificativa para não ter restrições no país usada pelo presidente é a liberdade dos brasileiros. Segundo ele, o vírus não vai embora e é quase impossível erradicá-lo, por isso o Brasil "não vai parar para empobrecer mais".

Enquanto isso, os números de mortes sobem e batem recordes a cada dia no Brasil. Com o último registro de quase 4,2 mil mortes, morre um brasileiro a casa 20 segundos no país. A situação de Chapecó, usada como bom exemplo por Bolsonaro, também não é das melhores. O município é o 4º em Santa Catarina com mais casos e o terceiro no número de mortes. Na segunda-feira (5), a cidade registrava 392 casos ativos, que pularam para 606 na terça-feira (6). 

Em contrapartida, com a abertura de leitos, a cidade zerou a fila de espera nos hospitais e pronto-atendimentos.

— Temos que estudar Chapecó, temos que ver as medidas tomadas pelo prefeito e as atuais medidas tomadas pelas governadoras — disse Bolsonaro.

Entre as medidas tomadas pelo prefeito João Rodrigues está a suspensão das atividades não essenciais por 14 dias no fim de fevereiro.

Durante o discurso, o presidente ainda defendeu o "tratamento precoce" contra o coronavírus, mesmo sem eficácia comprovada, e a liberdade dos médicos para prescreverem remédios. Ele ainda ainda falou que nenhuma de suas medidas é pensando nas eleições presidenciais de 2022.

— Não é hora de ver biografia, estou me lixando pra 22! Vai ter uma pancadada de candidatos.

Bolsonaro ainda tirou a responsabilidade do governo em relação ao colapso da saúde que acontece no Brasil e disse que não vai aceitar a política "de ficar em casa".

— O mais fácil é ficar do lado da massa, da grande maioria, isso evita problemas. Você não é acusado de genocida, não sofre ataques por parte de gente que pensa diferente. O verdadeiro inimigo é o vírus, não o presidente, a governadora, o prefeito — finalizou o presidente.

FONTE: NSC

NOVA FM

Programas

Trânsito Agora

Tempo

booked.net

APPs da Nova FM

Real time web analytics, Heat map tracking