Guga, 20 anos do maior feito do Tênis Brasileiro.

Em 3 de dezembro de 2000, há exatos 20 anos, o Brasil chegava ao seu auge histórico no tênis. Naquele dia, Gustavo Kuerten vencera Andre Agassi por 3 sets a 0 (triplo 6-4) na final da Masters Cup (equivalente ao ATP Finals) em Lisboa e, com esse resultado, ultrapassava o russo Marat Safin para assumir a liderança do ranking justamente um dia antes de seu encerramento naquele ano.

A vitória foi a consagração máxima de Guga, que, como se já não tivesse superado tantas dificuldades na vida - como a morte precoce do pai - e tantos outros adversários e desconfiança, ainda teve outros obstáculos pela frente nesta semana.

A começar pelo próprio resultado. Guga não tinha opção para ser número 1 do mundo em 2000 a não ser vencendo o torneio. E ele teria que ser campeão no carpete indoor, piso rápido, longe de ser seu preferido como era o saibro e ainda por cima passando por nomes como Yevgeni Kafelnikov, Pete Sampras e Andre Agassi.

Conforme lembraram a ex-assessora do catarinense, Diana Gabanyi, e seu eterno técnico, Larri Passos, Guga quase não jogou a competição, sentindo uma lesão na região da virilha que de fato se manifestou na derrota para Agassi ainda na fase de grupos e fez o brasileiro jogar com uma proteção que invadia o quadril pelo resto do torneio.

"Ele estava com aquele incômodo no corpo. Eu não desarrumei minha mala. Eu ficava perguntando toda hora como estava a lesão, mas foram alguns dias bem intensos pra saber se ele ia conseguir jogar", disse Diana.

"Ele saiu da quadra e começamos a fazer um tratamento. Depois, a gente subia para o último andar do hotel sozinho e a gente fazia mais uma sessão extra. No próximo jogo, de manhã subimos de novo e já fez todo um processo. Quando ele ganha o segundo jogo, aí a gente passou a acreditar que dava para continuar jogando", relembrou Larri.

Guga também teve que superar não só o piso, que não era o seu favorito, como também novos pares de tênis, que fizeram ele rapidamente voltar ao antigo modelo, específico para o saibro, que Larri deu "um trato" manual após os novos estourarem em uma partida.

"Eu estava aqui com ele treinando na quadra e falei que tinha um problema. 'Nós vamos chegar no Masters e você vai ganhar tênis novos, não sei se você vai se adaptar'. E ele falou 'Mas eu não tenho tênis de carpete'. Falei 'não te preocupa, me dá teus pares'. Saí da minha academia, levei no sapateiro e lixei os dois pares de tênis. Botei na sacola e levei junto. Quando acontece que arrebentou o tênis, todo mundo achava que teria uns 10 pares, que nada. E tinha o tênis preto, que eu falei que era o tênis preto que dava confiança, eu tinha tirado todas as ranhuras da quadra de saibro. Era pra ele ter ganhado esse Masters porque isso aí não acontece por acaso. Talvez o pai dele tenha mandado uma mensagem 'Larri, leva um par de tênis extra' (risos)".

"Hoje olhando pra trás, que emoção que eu senti...desde o primeiro dia que ele entrou na quadra comigo, com 13, 14 anos, que eu olhei pro céu e falei 'Leva a sério isso, quando está aqui dentro dá 100% de ti porque tem alguém (seu pai) te olhando lá de cima. Aí me veio essa imagem", disse Larri, às lágrimas.

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