Teka contesta decisão judicial que afastou membros dos conselhos fiscal e administrativo

alt

Se já não bastasse a delicada situação financeira enfrentada, a Teka vive dias de tensão e discórdias internas. A empresa pede na Justiça a anulação de uma decisão de 14 de julho da 2ª Vara Cível de Blumenau que determinou o afastamento de membros dos conselhos fiscal e administrativo e a nomeação de novos profissionais para os cargos, indicados pela administradora judicial Carmen Schafauser.

À época, como destacou o Santa, o juiz Clayton Cesar Wandscheer se embasou em uma auditoria que apurou um crescente nível de endividamento da companhia – que, no atual ritmo, poderia chegar à quantia de R$ 3,24 bilhões em dezembro de 2019 – e apontou que a medida representaria uma nova tentativa de evitar a falência da tradicional e quase centenária indústria têxtil.


Em agravo de instrumento remetido ao Tribunal de Justiça de Santa Catarina, que ainda está em análise, a Teka alega que vinha cumprindo o plano de recuperação judicial e apresentando sinais de melhora nas operações – crescimento de 40% no faturamento entre 2013 e 2016 – mesmo em meio à crise e sem contar com um dos seus principais “trunfos” no processo de recuperação: a venda do imóvel onde está instalada a sede, em Blumenau, que estaria encaminhada por R$ 69 milhões. O valor faria caixa à empresa, mas a negociação não foi adiante em função de questionamentos jurídicos.


A Teka também rebate números de auditoria externa que apontou, entre outros fatores, que o endividamento da companhia aumentou 123% desde 2012, ano em que foi deferido o pedido de recuperação judicial. A empresa admite a escalada da dívida, mas alega que ela é menor, de “apenas 41,8%”. E acrescenta que só neste ano já pagou R$ 1,72 milhão em habilitações trabalhistas, outro indício de que estaria cumprindo com suas obrigações.


A companhia diz ainda que a diretoria tem buscado formas de sobreviver no mercado e que a nomeação de “pessoas absolutamente estranhas e desconhecidas” no quadro de gestão, em menção aos novos conselheiros, pode trazer “danos irreversíveis” à imagem da marca, gerando desconfiança junto ao mercado sobre a sua capacidade de recuperação.


Além de tudo isso, a Teka reivindica na 2ª Vara Cível de Blumenau o afastamento de uma profissional nomeada pela Justiça para atuar na gestão interna, alegando que ela integraria a diretoria de uma empresa do Paraná que foi à falência – e que, por isso, a sua indicação seria irregular.


O outro lado


Nesse imbróglio, a Teka não é a única insatisfeita. A nova gestora, nomeada por decisão judicial, alega que a direção da empresa estaria dificultando o acesso a documentos e que ela estaria sendo impedida de participar de algumas reuniões, bem como conversar com funcionários sem autorização prévia da presidência. Novos membros dos conselhos fiscal e administrativo também estariam esbarrando em empecilhos para exercer suas funções.


Diante das contestações, o juiz Clayton Cesar Wandscheer determinou, em decisão proferida na quinta-feira, que a gestora tenha total e livre acesso a todos os setores da empresa e que todos os documentos solicitados por ela e pelos membros dos conselhos fiscal e administrativo sejam fornecidos independentemente de autorização da direção.

Em defesa da Teka, o advogado José Freitas diz que a empresa não foi ouvida sobre a situação pelo juiz e garante que vai recorrer da decisão.


Torcida pelo futuro


Divergências fazem parte do mundo corporativo e é até natural que em empresas em situações como a da Teka os nervos de grupos de campos opostos estejam à flor da pele. É uma pena que tudo tenha chegado a este ponto.Embora não seja fácil, é preciso alcançar um consenso que abra caminho para uma nova tentativa de salvar a empresa.


Não existe torcida contra. A Teka tem uma trajetória muito bonita. Que se concentrem esforços para buscar a recuperação da companhia. Se não pelos seus diretores, que façam pelo que a marca representa para Blumenau, que façam em nome dos atuais 1,5 mil funcionários e de milhares de outros trabalhadores que ajudaram a construir uma história tão rica nos últimos 91 anos.



* BlogdoPedro Machado/Foto: Patrick Rodrigues

Cidades





























Telefones Úteis